Carlos Roberto Ferriani


UFA QUE PARIU!

...e lancei meu livro
ou ele foi que me lançou,
tomado por únicos momentos.
... importa é que ele me ninou,
ele me dormiu, ele me sonhou,
...’antes mesmo do sonho’
Jamais terei, eu cacho,
outro assim.
O primeiro é eterno,
antes do segundo, porém,
manto igual, cativo...

... e deflorei meu crivo
ou ele foi que me “florou”,
enfeitado por túmidos sentimentos.
...porta do que me iluminou
do que me pariu, ou me criou,
...’antes mesmo do sonho’
Nunca serei, eu riacho,
só pra mim
o último será inverno
antes mundo, também
canto principal, adotivo...  

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TÃO ENCONTRO

Sabes uma vontade,
De te pegar no colo...
Fazer retornar as lágrimas
como numa mágica
e conter a dor que te laça?
Sabes um instante,
onde invade um sufoco...
Desejo de acarinhar
pelas mãos em trocas
e apagar teus percalços?

Sabes um momento,
que as poesias...
Não dissipam fontes
de apenas estarem
mas terem que te viver?
Sabes quando olhos,
de entrada proibida...
Rasgam a trafegar
nos dois sentidos,
a deriva de uma ilusão?

Assim se amou, o nosso encontro..


Cristiane Framartino Bezerra

EXUPÉRY E O PEQUENO PRÍNCIPE

Foi também o pequeno príncipe
Um anjo de doçura e amor
que ensinou a Exupéry
o valor de uma singela flor.
Ele, piloto destemido,
que tanta sede de viver sentia,
levava inquietude na alma
e nem amar direito sabia.
Fez sofrer sua pobre rosa.
A desejara tanto que a conquistara, é bem verdade.
Mas como não tinha mãos hábeis de jardineiro,
abandonara-a à própria sorte e ferira-a.
Então o anjo menino falou de cuidado,
de se querer bem ao que se cativa.
Mas o piloto sonhador
não teve tempo de praticar o que aprendera.
Porque lá nos confins dos céus
também o seduzira uma linda estrela!


Djalma Cano

LÁGRIMAS

Pequenas pérolas de dor
Descem pelas tuas faces
Sem que teu encanto
Se perca na sua vez de abrigo.

Suponho o sofrer,
Conjeturas sem valor
Adivinhar não cabe agora,
Importa o teu conforto.
Vai, vai, te recompõe...
Ah, sim, esse sorriso,
Sagrada exposição da tua alma..

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TIMONEIRO

Sou agora do barco
O (in) sensato timoneiro
A curva do rio se adianta
No horizonte e é preciso
Saber onde começa a volta
do leme.

Derivando minhas ilusões
Driblo águas nervosas
Pontos inconclusos do viver
Solidão repleta de presenças
No porto a terra sem sal sem sol
que treme.

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PARTIR

A hora de partir
Deveria ser sempre
Plena preguiça
Um desconsiderar
À pressa

Deveria ter atraso
De todos os relógios,
E dos tempos a vir...

Os momentos
Em beijos e abraços
Deveriam se eternizar
Para que o encontro
Não se desfizesse

Pura ilusão:
Uns vão
Outros ficam
Todos construindo
Saudade...

Efigênia Coutinho

COPA 2010

Tenho um coração
que torce com emoção,
vibra com toda seleção
entoando sua canção...

Quer ver a vitoria?
Fica então em vigília,
para contar sua história
com gosto de euforia.

Não aceite prejuízo
tenha bastante juízo,
com o juiz tem prestígio
Copa 2010 é desafio!

O Gol atravessa o mundo
deste sonho que me inundo.
O nosso Brasil vai fundo
para Vitoria fecundo!...

É nesta festa mundial,
que vamos abençoar.
O HEXA a triunfar,
Numa alegria especial!


08.06.2010
Balneário Camboriú

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NÉCTAR
Efigenia Coutinho

Estou imensamente feliz
Numa alma nova a reascender
Vou espalhando novo matiz
Ao colorido do meu viver.

Abraço o céu todo anil
Abraço e solto a cantarolar
Alimentando meu buril,
Novos ideais eu passo a gravar.

Despindo passos e posses
Deixando fluir todo afã
Vou desenhando em êxtases
O orvalho de cada manhã.

A vida num encanto a sorrir,
Traz a boa nova em graça.
Oferta-me de um novo porvir,
O Néctar em dourada taça.

O passado vai deslizando...
Além no tempo ele jaz.
E no céu o sol despontando,
Como um longo beijo de PAZ!


Junho 2010
Balneário Camboriú


Eliane Ratier

ABRAÇO

Acolhida e segura,
Em casa me encontrasse.
Coração no coração,
O sentimento flui direto
Sem intermediários.
Acabem se os horários.
Deixem-me eternamente em seus braços.
Braços fortes,
Lugar comum,
Prefiro a tepidez carinhosa
Que serve a qualquer um.
Qualquer tom de pele
Branca, morena ou ruiva,
Grossa, lustrosa e macia,
Ou transparentemente fina.
Pele lisa, peluda ou arrepiada.
Doce contato de gente,
Alma a alma.
Nenhuma alma penada.
Vem,
Me abraça....

Elisa Alderani

FERIDAS

Abri a gaveta das lembranças
Tirei tudo o que dentro estava.
Fechei todas as portas e as janelas,
Não queria que elas saíssem por ai,
Para espalhar minha historia.
O mundo está cheio
De palavras inúteis
Que não servem para nada,
Não enobrecem a vida.
Preciso agora descobrir
Os segredos da alma:
Curar, ungir, suturar feridas...
Sutis, apodrecidas.
Dobras doentes
Procurando refrigério,
Procurando alento,
Na simples caricia
Do toque do vento...
Depois, com carinho, guardo-as novamente,
Na última gaveta da minha mente.

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QUANDO SE PERDE UM GRANDE AMOR

Quando se perde um grande amor,
Solidão aperta o coração
Água rápidas de um rio
Preenche a alma de melancolia.

Quando se perde um grande amor,
Pela casa vagamos sonâmbulos
Sem saber onde estamos,
Tudo fala dele, mas não o achamos.

Quando se perde um grande amor,
Olhamos para o céu procurando uma estrela
Solitária como nós,
Querendo falar da nossa história.

Conversamos com a pequena flor
Que no vaso, adormecida
No cair da noite, fechou suas pétalas rosadas,
Esperando o orvalho da madrugada.

Fechamos a janela, fechamos a porta,
Fechamos o coração
Um enorme nó na garganta
Fecha a respiração.

Quando se perde um grande amor,
O coração não descansa
Bate acelerado à procura
Daquele carinho cheio de ternura.

Este amor ficou preso nas estrelas...
E, nunca mais irá voltar.
Mas, nos consola pensar:
Sempre vale a pena amar!


Helena Agostinho

CASA de VÔ

Casa de vó tem cheiro diferente,
cheiro que espera a gente,
chega a hora que chegar .

Se ela mora na fazenda
O cheirinho  da merenda
é a mais pura oferenda
para deuses degustarem.

Cheiro de pão feito em casa,
batata doce na brasa
canjica, pipoca, manjar.
No almoço feijão com torresmo
macarronada com queijo,
frutas frescas do pomar.

No armário tem tanto pode
que se a gente tiver sorte
até dinheiro vai encontrar
Camomila, erva cidreira
folha seca de laranjeira
pode parecer besteira,
mas só o cheiro tira a dor.
Casa de vó cheira amor...

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AMOR

Como forjar o amor?
Ele transcende no olhar...
Reflete em cada gesto
é impossível disfarçar.

Mesmo o amor proibido
que uma flecha do cupido,
perdida, pode acertar
um coração distraído,
quando menos desejar ...

Se o coração elege
ele domina a razão
desconhece preconceitos
raça, cor, religião.

E se a pessoa eleita
Ignora, desconhece,
o coração entristece,
mas supera e persiste.
Mesmo sangrando de dor
com esse platônico amor
segue amando não desiste.

Sempre que o amor acontece
não tem como escapar.
É mistura de dor , alegria
a mais pura alquimia
que Deus pode inventar


Jair Yanni

DESPEDIDA

A última gota há de ser de mel
Mínima e pequenina
pra adoçar as alegrias que me restam

Do amargor por certo estarei distante
Aceitarei o fim sempre fatal
inevitável

Levarei comigo o louvor
de ter vivido plenamente
Semente do bem que ousei plantar

O peso das magoas fica no lugar
transformado em quilos de perdão

Penitência por meus erros na passagem

O que acertei deixo de herança
a quem prouver usar e lavro em testamento:
....“meu Amor à Vida
que o espalhe o vento”


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GENTE PALAVRAS ...GENTE

Madrugada
Claridades
O mar ao pé do horizonte
O mundo investindo em luz
Dia grande escultural
Um hino na boca do vento
Um canto que sei de cor
....Ao sol abre-se a flor
....Só um pássaro no ar

O dia move-se e dança

Gente palavras gente
Árvores bebendo rios
Pedras comendo pó
O homem em sua lida
Ditoso em seu bem estar

Sempre as horas em seus minutos
Sempre o tempo em seu lugar
E a terra em rotação
Correndo atrás do luar

Gente palavras gente
Ruídos em seu gritar
Britadeiras quebrando rochas
Montanhas artificiais
E o homem atrás do sonho
Em eterno recomeçar.
Gente Palavras Gente


João Nery

REVERSO

eu quero escrever um poema
ue deforme a tua lua
e que tua alma seminua
desfaleça ao percebê-lo

eu quero escrever um poema
com restos do meu soluço
que meus olhos dissolutos
se entorpeçam de desejo
o desejo de desvê-lo

eu quero escrever um poema
que resvale na ironia
e revele em simetrias
o desuso da saudade

eu quero um poema torto
escrito em linhas retas

que despoemise o amor
que destrua a minha crença
e me faça desigual

eu quero escrever um poema
que desdiga o que foi dito
que desfaça o que se fez
que desnude o desgosto
desbotado em cada gesto

e ao desanoitecer da noite
na desordem indiscreta
do desbeijo dos teus beijos
se estabeleça em teu regaço
o reverso dos meus versos
e no desabraço dos teus braços
eu me sinta um despoeta.

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QUIMERA

senta-te aqui, ao meu lado. Não precisas dizer nada
nada precisamos fingir, senão deixar que a chuva
encharque e purifique nossas almas despidas

vês aquela árvore florida?
que vai e vem à melodia da brisa?!
um dia, fora apenas uma semente

amanhã em seu lugar erguer-se-á um monumento
e ninguém mais há de lembrar a sua existência

entrelacemos as mãos, enquanto as temos
a vida - como o vento, a chuva, a árvore...
é única e eterna na brevidade de seu tempo

sintamos o cheiro suave da terra molhada

brindemos com a inconstância
nossos gozos inacabados
e com o silêncio, a mentira desse instante

tudo o que somos, sentimos ou tocamos
é apenas ilusão. A vívida ilusão dos nossos sonhos
corporificada no delírio existencial de cada ser

a chuva vai passar, logo se fará noite
as estrelas encherão de luz nossas retinas
e nos farão acreditar na possibilidade do existir

porém, tudo o que foi, não mais será
senão remotas lembranças da nossa saudade
na sua marcha em vão ao encontro do nada.


Mara Senna

LEVE

Ô Deus, me pega no colo!
Conserta meus pés de barro,
senão desmorono.
Meu chumbo me pesa.
Coloca-me asas, daquelas de anjo,
dá-me vôos de pássaro,
travesseiros de nuvem,
ventanias.
Hoje preciso voar,
sair do chão
ficar em Tua companhia.
Ser apenas pluma,
bruma,
espuma do mar
Qualquer coisa muito leve
que me eleve
para o ar.

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O ROSTO DO AMOR
À memória da Dra. Zilda Arns

Isto é uma coisa
que, outras vezes,
eu já havia reparado:
de vez em quando
Deus toma
um rosto emprestado.
Espalha Amor aqui na terra
e vai embora,
disfarçado...

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DO TEMPO E DA FLOR

Não posso mais escrever sobre flores...
A primavera já chegou tão plena,
que se tornaram débeis todas as palavras.
Ei-la, que se abram as janelas!
Ou não, se assim o desejarem...
Abrindo-as, há quem veja a flor,
há quem observe o movimento da borboleta;
há quem mire a pedra,
há quem aviste o lagarto imóvel em cima da pedra.
Há quem olha e nada vê.
O tempo da flor é fugaz.
O tempo do homem é um sopro.
Cada um escolhe o que quer enxergar
e as janelas que deseja abrir.


Mário Massari

GOTA

A gota transcende

à queda

e repousa calma

na folha que, solícita,

a recebe.

O solo há tempos espera

mas reluta a gota,

ante a acolhida da folha

a abandonar carícias certas.

 

Gota folha solo

triângulo inevitável

da chuva que é promessa.


do livro - Achados e Guardados

 

Mariza Ruiz

LUNÁTICA

Carrego de luas
o céu de meu destino.
E já que não recua
minha força de menino,
deixo-me imbuir
de macio mar de leite,
e me principio
e me torno enfeite
de meus próprios desafios.

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MITÉRIO

Conchas de mar têm força.
No esgrouviado de seu dentro,
o mar capturado canta,
canta canção eterna.
Jeito de Deus
mostrar Seus dons.

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ABANDONO

Respaldo não acho
minhas bonecas foram quebradas
e não encontro os cacos.
São ecos de um passado
que se faz presente,
quando são largos meus passos
Então não me respondo,
nem me acho.

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INCERTEZA

Meu olho direito
ardeu de jeito incerto.
O esquerdo
piscou sem eira nem beira.
Que destino tenho encoberto
em minha algibeira?


Marlene B. Cerviglieri

FLORES DA VIDA

No jardim de minha vida,
Recolho agora tudo que plantei.
São lírios da paz, jasmins perfumados,
Orquídeas deslumbrantes!

Com a serenidade que preciso,
Contemplo as arvores o céu e o mar.
O coração bate sem acelerar-se,
Num compasso tranqüilo
Com a paz que mereço.

Neste grande jardim,
Que é a vida
Passeio entre alamedas de amor, de dor,
De felicidade semeando a esperança.

Que tudo floresça,
Que eu deixe firmes raízes
De tudo que foi,
E não mais será...

Nilton Manoel

O TREM

Tanto tempo faz
que na baixada de vila Tibério
havia uma estação de trens!
Trem ia, trem vinha...
Apitos, fornalha quente, brasas e vapores....
Maria Fumaça
Era graça e riqueza....
Quanta coisa havia na ferrovia...
A estação, o chefe, o telegrafo...
Na maquina o maquinista e o ajudante...
O picador de passagens...
O carro restaurante...
Os sonhos de cada um!
Os trilhos sobre dormentes
era o caminho de ferro...
Quanta coisa pelo caminho...
Foi-se Maria, veio a maquina à Diesel...
Foi-se a ferrovia... Foram-se os trilhos...
Fim das porteiras e das placas Pare,Olhe,Escute.
Vieram os ônibus e os caminhões
Foram-se máquinas e vagões
dos bucólicos cenários.
No advento da gasolina
Carros estrada à fora....
Foram-se as velhas fazendas
Vieram as novas casas!
O trem ainda existe
pelos filmes que ainda vemos.
No entanto estilizado
Por superfícies e buracos
O velho trem corre por grandes centros;
Com todo o aparato da modernidade
Vivo de estação em estação
Com as paisagens de um metrô.
Ribeirão Preto não tem metrô?
Nada tem... Nem palmeiras!
o ribeirão Preto em placa de obras é córrego


Oefe Souza

Bendigo a tua amizade
Minha emoção é tamanha
És um anjo de verdade
Que, nas letras me acompanha

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Por tudo que me desejas
Tua amizade eu bendigo
Não duvido que tu sejas
Com certeza um anjo-amigo...

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Envelheci te esperando
Tanto, tanto que nem sei
Se a vida é que foi passando
Ou se foi eu que passei !


Oleg Almeida

MEMÓRIAS DUM HIPERBÓREO: VI

Quando eu tinha uns treze anos,
as árvores eram altas
e as palavras, sinceras.
Estavam vivos os meus avós,
ainda novos, os pais,
e não faltava, nas redondezas,
quem os achasse dignos de reverência.
Naquele tempo,
toda manhã, em janeiro como em julho,
simbolizava a felicidade:
cedo se levantava o sol,
um pires de moranguinhos já me esperava em cima da mesa,
e lá no telhado, suavemente
turturilhava um casal de pombos.
E eu vivia –
não consumia a vida
nem a deixava puxar-me pelas orelhas –
apenas vivia,
contente com poucas coisas que tinha,
e no lugar dos brinquedos surgiam os livros interessantes:
contos, diálogos e poemas.
E cada vez que a moça mais linda de toda a cidade
passava, de peplo curto
e uma fita purpúrea a segurar os cabelos luxuriantes,
defronte da nossa casa,
soltavam-se os meus olhos do velho papiro
e, fascinados, corriam no seu encalço.
De vagabunda chamavam-na os vizinhos,
e eu, numa blasfêmia inofensiva,
de Chipriana,
tanto o requebro dos seus quadris
exacerbava o meu anseio de ser adulto.
Depois da chuva,
o arco-íris juntava as extremidades do plácido firmamento,
e a janela do quarto, onde dormia,
dava para o mar,
pacato e cristalino feito um riacho.
Harmoniosos eram os nossos dias,
malgrado se sucedessem depressa...
Quanto à morte, ela não existia.

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DUM SPIRO, SPERO

Eu sei, meus amigos, que tudo acaba,
que não existe, no mundo dos homens, nada perene:
gasta-se a saúde,
perde-se a beleza,
esgota-se o prazer
e a força do corpo se vai embora.
Eu sei que a nossa vida não passa
duma centelha a brilhar no escuro sem bordas,
que só um instante separa a infância da senectude,
o berço da cova,
e disso, por vezes, eu tenho medo.
Mas, quando me sinto fraco,
e voltam as dúvidas seculares a deprimir-me,
quando, perante o infinito, deixam de ser relevantes
todos os argumentos lógicos e absurdos,
resta a promessa divina
que os humanos costumam chamar de esperança
em mil idiomas –
vem com o sol nascente,
surge das nuvens que se dispersam após a chuva,
no canto dos pássaros se percebe,
recria os sonhos desfigurados pela tristeza,
de brotos verdes semeia a terra cinzenta...
Forte como a mão paternal
e serena como uma prece,
a esperança compensa a urgência dos dias
com tanta certeza de não me levarem à morte, mas sim ao futuro
que partilhá-la convosco, amigos, quero:
posto que grande demais para mim, em pessoa, seja,
para a humanidade seria de bom tamanho!


Rita Mourão

INFÂNCIA

Minha infância?
Um chalé colorido,
com janelas de esperança
que mostravam do outro lado
um horizonte acenando sonhos.
A infância passou, o chalé perdeu a cor
e os sonhos se cristalizaram na memória.

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LEMBRANÇA

Um casarão branco,
amanheceres tingidos de luzes e cores,
a requintada cerca dos bambuais
e os pardais cruzando os ares da minha infância verde.
Tudo isso virou noite escura onde dormem minhas lembranças!

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SONHO

Era frágil, mas sonhava.
Na bica de água fresca lavava roupa e sorria.
A espuma do sabão, em suas mãos, eram flocos de sonhos,
reflexos de um poema misterioso, que só dentro dela existia.
Queria ser poeta,
mas não lhe deram a chave do
santuário das palavras!

Felicidade é ver o bem que podemos fazer, e nos conduzir a isto

Sócrates.......

Uma boa cabeça e um bom coração formam sempre uma
uma combinação formidável.

Sonho com o dia em que todos levantar-se-ão e compreenderão que foram feitos para viverem como irmãos.

Nelson Mandela ..

Podemos ser apenas um ponto, desde que se destine ao infinito.

Colecione pétalas só do bem-querer,
pra unir o seu jardim ao meu e fazermos do mundo um tapete de Paz.

Cléo Reis..

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